Cada vez se fala mais de franchising em nosso país. O que nos surpreende – e, certamente, não de forma positiva – é que não se fala sobre (e nem se faz) franchise no Brasil de modo significativamente mais profissional que três décadas atrás. Após vários booms do franchise no País, e com todos os avanços dos sistemas e meios de comunicação, bem como dos processos e sistemas de gestão, o franchise continua sendo tratado pela mídia brasileira de forma absolutamente bissexta, muitas vezes como "novidade". E por "novidade" entenda-se algo que "parece novo" – pois, se há muita gente que já "ouviu falar de", pouca gente realmente sabe o que é e como funciona (ou como realmente deveria funcionar para funcionar bem) –, de modo que as matérias soam como se o sistema fosse uma nova descoberta empresarial, um novo filão, uma nova mina de ouro, muitas vezes beirando perigosamente o sensacionalismo. A "bola da vez" são as chamadas "microfranquias".
E mais: talvez por "continuar parecendo novidade" após tantos anos, o franchise ainda seja tratado de forma extremamente superficial, incipiente e, muitas vezes, até irresponsável, não somente por alguns jornalistas que abordam o tema – cuja maioria mostra, no mínimo, desconhecimento e a falta do dever de casa mais básico (um pouco de pesquisa) –, como, lamentavelmente, por inúmeras "empresas franqueadoras", que continuam abusando do direito de serem "familiares".
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Arthur Nemer
Consultor empresarial, professor de cursos de MBA e palestrante especializado em franchise, varejo e branding. Bacharel & Licenciado em Inglês e Português pela UFRJ, Arthur interessou-se e aprofundou-se no franchise após pós-graduar-se em Propaganda & Marketing pela ESPM e concluir o curso de Mestrado em Administração do COPPEAD/UFRJ. Entre outras publicações, é coautor do livro "Marca & Distribuição", vencedor do Prêmio Jabuti 1994 na área de Economia, Administração & Negócios. Nemer, ao mesmo tempo em que é um apaixonado pelo sistema de franchise, é um crítico ferrenho da sua utilização e disseminação de formas não profissionais.
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